sexta-feira, 21 de julho de 2017

Sabesp amplia área verde e melhora qualidade da água no Cantareira.



Pensando na qualidade da água desde a sua fonte, a Sabesp mantém iniciativas de conservação ambiental e reflorestamento das matas nos entornos das represas, rios e nascentes. Em 10 anos, a cobertura florestal nas margens das represas do Cantareira aumentou em 40%.

Até agora, a Sabesp já reflorestou 1.189 hectares no entorno das represas do Sistema Cantareira. Isso significa o plantio de 1,6 milhão de árvores nativas em uma área que equivale a 1.655 campos de futebol. A ampliação da cobertura de vegetação nativa colabora com a melhoria na qualidade da água, que passou de boa para ótima.

Com um investimento de R$ 2,5 milhões, a Sabesp plantou recentemente 213 mil mudas de espécies nativas em áreas da represa Cachoeira, que faz parte do Sistema Cantareira. Em setembro deste ano, mais 53 mil mudas serão plantadas.


Esses plantios se somam a uma ação iniciada em 2007, quando a Sabesp firmou parcerias com ONGs e empresas para plantar 1 milhão de árvores no Cantareira. As instituições ultrapassaram a meta inicial do projeto, que alcançou a marca de 1,4 milhão de mudas. O plantio foi realizado nas represas Paiva Castro, Jaguari-Jacareí e Cachoeira. Para garantir o sucesso da restauração florestal, foi necessário realizar durante alguns anos serviços de manutenção, como, por exemplo, construção de cercas, combate a formigas cortadeiras, correção do solo, entre outros.

Com isso, a cobertura vegetal do Sistema Cantareira passou de 44% para 62% nesses últimos 10 anos, contribuindo com a melhoria na qualidade das águas do sistema. De acordo com o Índice de Qualidade das Águas (IQA) da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), na década de 2000, o índice da qualidade da água do Sistema Cantareira estava acima de 70, com a média boa. Já na década de 2010 até 2016, época em que a Sabesp enfrentou a maior seca da história na Grande São Paulo, o índice estava acima de 80, com a média de qualidade ótima. 

Além de dificultar ocupações ilegais no entorno dos mananciais, o plantio impede o carreamento de resíduos sólidos para dentro da represa, reduzindo a poluição da água e colaborando com sua qualidade. A vegetação também reduz a erosão do solo, ajuda a reduzir o risco de enchentes e protege a biodiversidade.


Durante os próximos anos, a companhia prevê o plantio de mais 250 mil, chegando a quase 2 milhões de árvores no Sistema Cantareira, que é o maior sistema produtor da Região Metropolitana de São Paulo e abastece cerca de 7,7 milhões de pessoas. Para acelerar este processo de recuperação, a Sabesp está buscando empresas que queiram fazer novas parcerias. Os interessados podem entrar em contato com a Companhia, que está disponibilizando 880 hectares para restauração ecológica.

Fonte: SABESP (aqui)

Nota do editor: bons números que eu não conhecia. Que bom que o volume de mata ciliar restaurada passou de 44% para 62% no Sistema Cantareira. Todos das Bacias PCJ agradecem.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Casarão que foi palco de festas luxuosas na era Sarney vira centro infantil no MA



Carlos Madeiro
Colaboração para o UOL, em Maceió 04/07/2017 - 04h00

Conhecida por sediar festas promovidas pelos governos da família Sarney e seus aliados, a antiga casa de veraneio do Maranhão --uma grande residência oficial à beira mar em São Luís-- passa a ser, a partir desta terça-feira (4), um centro de referência para crianças com microcefalia e problemas neurológicos.

A Casa de Apoio Ninar será inaugurada na praia de São Marcos, em uma área com 6.680,45m². Ela será uma extensão do Centro de Referência em Neurodesenvolvimento, Assistência e Reabilitação de Crianças.


Casa passou por obras de acessibilidade e será inaugurada nesta terça (04)
Antes de ser inaugurada, a casa foi reestruturada e passou por obras de acessibilidade e mobilidade para abrigar setores como consultórios, centros de convivência, dormitórios e auditório. Ao todo foram investidos R$ 565 mil.
Espera-se que, na casa, 58 profissionais realizem até 1.263 atendimentos por mês. A despesa mensal, a cargo da Secretaria de Estado da Saúde, será de R$ 192 mil.

Segundo o governo, a casa vai abrigar 15 famílias por semana e cinco profissionais de saúde dos municípios. Entre os profissionais, há especialistas como pediatra, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, enfermeiro e assistente social.

Promessa era vender

A promessa de campanha do governador Flávio Dino (PCdoB) era vender o imóvel. Porém, o governo informou ao UOL que, devido ao cenário de crise econômica, o preço oferecido não foi vantajoso. 

"O imóvel de alto padrão está localizado em umas das áreas mais valorizadas de São Luís. Não houve uma proposta financeira que o governo considerasse adequada", explicou.

Antes da reforma, o espaço foi palco de festas --muitas vezes extremamente luxuosas--, como a de despedida do cargo da ex-governadora Roseana Sarney, em dezembro de 2014.

Após a derrota do seu grupo naquele ano, ela decidiu renunciar ao cargo 22 dias antes do término do mandato. Saiu fazendo uma festa onde cantou, pulou e ofereceu uísque e vinho a convidados.

Naquele mesmo ano, em junho, ela comemorou seu aniversário de 61 anos em uma festa que contou até com apresentações de bois bumbá. 

Nesse domingo (2), o governador fez uma visita ao local e comentou sobre o centro. "Essa é uma obra que tem um significado social e simbólico, pois a casa que antes era para poucos será agora de todos e para todos", disse.

Fonte: UOL (aqui)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Importância das Macrófitas Aquáticas


Nenhum texto alternativo automático disponível.

 As macrófitas aquáticas desempenham um papel extremamente importante no funcionamento dos ecossistemas em que ocorrem, sendo capazes de estabelecer uma forte ligação entre o sistema aquático e o ambiente terrestre que o circunda.
   Entre os importantes papéis desempenhados pelas macrófitas, podemos citar:

    - O de atuar como produtores primários, isto é, servem como importante fonte de alimento para muitos tipos de peixes e algumas espécies de aves e mamíferos aquáticos (como as capivaras).

   - Atuam como liberadores de nutrientes; absorvendo os nutrientes do sedimento por suas raízes e liberando-os na água, através de sua excreção ou durante sua decomposição.

   - São fornecedoras de muitos habitats e abrigo para peixes recém nascidos e pequenos animais.

   - Proporcionam sombreamento, fundamental para muitas formas de vida sensíveis às altas intensidades de radiação solar.

   - Fornecem materiais de importância econômica para a sociedade, pois podem ser utilizadas como alimento para o homem e para o gado, como fertilizante de solo, como fertilizante de tanques de piscicultura ou abrigo para alevinos, como materia prima para a fabricação de remédios, utensílios domésticos, artesanatos e tijolos para a construção de casas, como recreação e lazer, pois são cultivadas em lagos artificiais como plantas ornamentais, etc.

  Além disso, algumas macrófitas aquáticas são hospedeiras de algas e bactérias fixadoras de nitrogênio.

  Proporcionam local adequado para o desemvolvimento de microorganismos pois suas raízes servem de substrato para a deposição de ovos de diversos amimais e abrigo para o zooplâncton, que constitui a principal alimentação de muitos peixes pequenos.

  Por necessitarem de altas concentrações de nutrientes para seu desenvolvimento, as macrófitas aquáticas são utilizadas com sucesso na recuperação de rios e lagos poluídos, pois suas raízes podem absorver grandes quantidades de substâncias tóxicas, além de formarem uma densa rede capaz de reter as mais finas partículas em suspensão.

  As macrófitas aquáticas estão tão intimamente relacionadas ao funcionamento dos ambientes aquáticos que a preocupação com sua preservação é fundamental para a manutenção da biodiversidade desses ambientes.

  No Brasil, a maioria dos lagos são relativamente rasos, possibilitando a formação de extensas regiões litorâneas, áreas amplamente ocupadas por macrófitas. Essas regiões são consideradas as principais responsáveis pela produtividade biológica dos sistemas aquáticos e são extremamente vulneráveis aos impactos causados pelo homem, como a poluição e a turbidez da água ocasionada pelo material inorgânico proveniente da erosão dos solos e carregados pelas chuvas.

   Neste contexto, o conhecimento sobre a biologia e ecologia das macrófitas aquáticas e a importância de sua preservação são fundamentais para o bom funcionamento dos ecossistemas aquáticos.

Fonte: Texto - UFSCAR (aqui) / Imagem - Facebook (aqui)

Meus Comentários:

Esta é uma área da flora que pouco conhecemos. São especiais e deveriam ser mais protegidas. Infelizmente, áreas úmidas ou rasas são aterradas para gerar mais espaço para a agricultura ou para estradas no meio urbano.

Temos que entender mais os benefícios gerados por essas comunidades aquáticas.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Brasil despenca 19 posições em ranking de desigualdade social da ONU


Desigualdade social cresce no Brasil, aponta a ONU.

País aparece entre os 10 mais desiguais do mundo. Além da diferença entre ricos e pobres, levantamento ressalta desvalorização e baixa representatividade da mulher na sociedade brasileira

As desigualdades social e de gênero se acentuaram no Brasil. Esse é o diagnóstico revelado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com dados de 2015, divulgado nesta terça-feira. O país ocupa o 79º lugar entre 188 nações no ranking de IDH, que leva em conta indicadores de educação, renda e saúde, mas despencou 19 posições na classificação correspondente à diferença entre ricos e pobres.

Enquanto a nota de 0,754 do Brasil se mantém estagnada, preservando-o em um patamar considerado alto pela ONU, o número cai para 0,561 no indicador social. Analisando somente esse fator, o país seria rebaixado para a escala de países com índice médio. O IDH varia entre 0 (valor mínimo) e 1 (valor máximo). Quanto mais próximo de 1, maior é o índice de desenvolvimento do país. Pela primeira vez desde 1990, quando o levantamento começou a ser publicado anualmente, o Brasil não elevou sua nota no ranking. A Noruega permanece na primeira colocação e encabeça a lista das nações com IDH muito alto, com 0,949, seguida por Austrália e Suíça, ambas com 0,939.

Ainda no cálculo ajustado pela desigualdade social, o Brasil, empatado com Coreia do Sul e Panamá, só não regrediu mais nesse quesito que Irã e Botsuana, que caíram 40 e 23 posições, respectivamente. Já o Coeficiente de Gini, que mede a concentração renda, aponta o país como o 10º mais desigual do mundo e o quarto da América Latina, à frente apenas de Haiti, Colômbia e Paraguai. Segundo o levantamento da ONU, o percentual de desigualdade de renda no Brasil (37%) é superior à média da América Latina, incluindo os países do Caribe (34,9%).

A desigualdade brasileira também cresce nas comparações de gênero. Embora as mulheres tenham maior expectativa de vida e mais escolaridade, elas ainda recebem bem menos que os homens no Brasil. A renda per capita da mulher é 66,2% inferior à de pessoas do sexo masculino. No índice de desigualdade de gênero, o país aparece na 92ª posição entre 159 países analisados, atrás de nações de maioria religiosa conservadora, a exemplo de Líbia (38ª), Malásia (59ª) e Líbano (83ª).

Também é baixa a representatividade da mulher no Congresso Nacional. O comparativo entre número de cadeiras em parlamentos indica que as mulheres brasileiras ocupam somente 10,8% dos assentos. O número é inferior à média mundial (22,5%) e até mesmo ao de países com IDH baixo, como a República Centro Africana, última colocada do ranking, que tem 12,5% de seu parlamento ocupado por representantes do sexo feminino.

Por meio de um comunicado, a Presidência da República avaliou que os dados divulgados pela ONU “ilustram a severidade da crise da qual apenas agora o país vai saindo”. De acordo com a nota, as reformas propostas pelo presidente Michel Temer devem se refletir em números melhores nas próximas edições do ranking.

Fonte: El Pais (aqui)

Nota do editor: Triste notícia. Com a atual crise, estamos regredindo a passos largos. Não sei onde a equipe do nosso presidente buscou fazer essa afirmação que as reformas irão ajudar estes índices. Permitir que mulher gestante ou lactante possa trabalhar em local insalubre, com certeza, em nada auxiliará isso.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Pneu do futuro poderá ser feito de pele de tomate e casca de ovo



São Paulo – Você já leu por aqui sobre o uso de resíduo de abacaxi para produzir “couro” mais sustentável, sobre empreendedores que sabem tirar riqueza do lixo e materiais biossintéticos que podem mudar o mundo em breve.

Na esteira da busca por materiais mais naturais e do combate ao desperdício, pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, descobriram uma maneira de fazer pneus de carro a partir de resíduos de pele de tomate e casca de ovo.

Essa mistura incomum de ingredientes pode substituir o uso de negro de fumo (ou fuligem), material produzido pela combustão incompleta de derivados de petróleo  e utilizado como um reforço de enchimento em pneus de automóveis e outros artigos de borracha.

Fornecido como um pó bem fino, o negro de fumo é responsável por cerca de 30 por cento de um pneu e também pela sua cor preta característica. Nos últimos anos, devido ao aumento da demanda da indústria de pneus e ao fato do custo desse material flutuar com o custo do petróleo, pesquisadores vêm buscando novas fontes de borracha natural e enchimento.

Segundo a Dra. Katrina Cornish, pesquisadora sênior da Universidade Estadual de Ohio, a tecnologia tem o potencial para resolver três problemas: torna a fabricação de produtos de borracha mais sustentável, reduz a dependência do petróleo estrangeiro, no caso dos EUA, e ajuda a reduzir o envio de resíduos aos aterros sanitários.

Os americanos consomem 13 milhões de toneladas de tomates, a maioria deles enlatados ou processados de outra forma, e 100 bilhões de ovos por ano.

As usinas de processamento de tomate geram pilhas de peles descartadas, que são muito úteis para a pesquisa da Universidade, especialmente porque os tomates comerciais possuem peles mais grossas.

Enquanto isso, a indústria de alimentos comerciais usa metade dos ovos produzidos no país, o que significa que há uma oferta estável a todo tempo. Não é à toa que são as fábricas de alimentos de Ohio que fornecem esses resíduos para pesquisa do pneu mais ecológico.

Cindy Barrera, pesquisadora no laboratório de Cornish, descobriu em testes que as cascas de ovos possuem microestruturas porosas que fornecem maior área de superfície para contato com a borracha. As cascas de de tomate, por sua vez, são altamente estáveis a altas temperaturas e também podem ser usadas para gerar material com bom desempenho.

“Descobrimos que a substituição de diferentes quantidades de negro de fumo por cascas de ovo moídas e cascas de tomate causa efeitos sinérgicos, permitindo, por exemplo, que a borracha continue forte e mantenha a flexibilidade”, diz.

De acordo com os cientistas, em testes, a borracha feita com os novos ingredientes excede os padrões industriais de desempenho, o que pode, em última instância, abrir novas aplicações para a borracha.

A principal diferença em relação à borracha convencional é a cor. Dependendo da quantidade de casca de ovo ou tomate usada, o o novo pneu pode ter tom mais castanho avermelhado, ao invés de preto.

Os cientistas, agora, estão testando combinações diferentes e procurando formas de adicionar cor aos materiais. A universidade licenciou a tecnologia, ainda pendente de patente, para a empresa da doutora Cornish, EnergyEne, para desenvolvimento dos próximos passos.

Fonte: Página de Ivan Linhares no Linkedin (aqui)

quarta-feira, 28 de junho de 2017

A ciência no Brasil é bancada pelos pais


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Bolsas dos estudantes de mestrado e doutorado pagam menos do que o mínimo necessário para que eles se mantenham — a solução é pedir ajuda à família ou fazer bicos para quitar as contas

O torcedor da Portuguesa que acompanhou as temporadas de 2013 e 2014 não deve saber, mas muito provavelmente comprou seu ingresso no estádio do Canindé com um doutorando em Educação. É que, trabalhando como atendente na bilheteria do estádio nos jogos do clube, o sociólogo Eduardo Carvalho, 31 anos, conseguia um dinheiro extra para não ficar no vermelho. Na época, ele recebia apenas uma bolsa deR$ 2,2 mil mensais para trabalhar em um projeto de pesquisa sob orientação de um professor na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). O auxílio era pago pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a instituição que mais distribui bolsas para mestrandos e doutorandos no país.

A tese de Carvalho, que será defendida ainda neste ano na Faculdade de Educação da USP, é sobre o retorno da Sociologia como disciplina no currículo do Ensino Médio. “Sempre tive que conciliar a pós-graduação com outro tipo de trabalho. Não tem como a gente se dedicar integralmente à pesquisa com o valor da bolsa. O custo de vida em São Paulo é muito alto.” Carvalho fez a graduação e o mestrado em Ciências Sociais na Universidade Estadual de Londrina, Paraná. Mudou-se para a capital paulista após passar no concurso para professor do Estado, função que exerceu entre 2007 e 2013 na cidade de Ilhabela, no litoral norte. Para voltar à academia e começar o doutorado na capital, pediu demissão.

Nesse período em que abriu mão do emprego (e de qualquer estabilidade) para se dedicar à pesquisa, ele trabalhou como tutor a distância e também foi monitor de alunos da graduação para conseguir um dinheiro extra. “Eu queria continuar me dedicando exclusivamente à pesquisa, mas queria ter também uma vida confortável. Pô, tenho uma filha pequena, né?."

As duas agências federais de fomento à pesquisa, Capes e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), consideram as bolsas de pós-graduação um auxílio, não um salário. É possível ter outra fonte de remuneração, desde que sejam respeitadas algumas regras: o emprego tem que ser na área de pesquisa do aluno, o vínculo tem que ter surgido após a matrícula na pós, a remuneração não pode ser superior ao valor da bolsa e o professor orientador precisa autorizar o trabalho (veja abaixo).

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Menos que o mínimo

Existem hoje no Brasil pouco mais de cem mil bolsistas do CNPq e da Capes de mestrado e doutorado que recebem, respectivamente, R$ 1,5 mil e R$ 2,2 mil por mês. Há ainda as bolsas de fomento à pesquisa financiadas pelas agências estaduais, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que paga uma bolsa mensal que varia entre R$1.889,40 e R$3.446,40 para 7.601 mestrandos e doutorandos. O valor mal dá para pagar o aluguel de um apartamento nas maiores cidades brasileiras, mas nem sempre foi assim. 

Em janeiro de 1995, a bolsa de mestrado era de exatamente R$ 724,52. Se tivesse sido reajustada de acordo com a inflação, estaria em R$ 3.276,74 nos valores de hoje — mas ela paga só R$ 1,5 mil. O cálculo foi feito pelo economista André Coutinho Augustin, que foi bolsista do CNPq no mestrado em Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O levantamento, publicado no começo de junho no blog Enquanto se Luta se Samba Também, mostra que, neste ano, as bolsas de pós-graduação atingiram o menor valor em 20 anos.Até o começo dos anos 2000, segundo Augustin, um corte geral nos gastos da educação não permitiu reajustes. “Só depois de 2004 é que começaram a fazer algumas atualizações nos valores. Mas a prioridade era o número de vagas na universidade. Até 2013 as bolsas foram corrigidas só pela inflação, sem ganho real; em 2014 veio o ajuste fiscal e aí não houve mais correção nenhuma”, explica. Augustin comparou também o valor das bolsas com o salário mínimo necessário, uma estimativa que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) faz mensalmente para saber qual seria o salário ideal para uma família se sustentar. O levantamento mostrou que, entre 1995 e 1996, a bolsa de mestrado tinha um valor muito próximo do mínimo necessário. Hoje, ela equivale a menos da metade do mínimo.

Por isso mesmo, para se manter como bolsista, especialmente nas grandes cidades, é preciso algum tipo de apoio da família. Thais Kuperman, 28 anos, é formada em Jornalismo e está concluindo o mestrado em Letras na USP sobre o romance Herzog, de Saul Bellow, com uma bolsa da Fapesp. Antes de conseguir o auxílio financeiro, Kuperman estava trabalhando na organização de uma exposição de arte para se manter. Depois, conseguiu se virar só com a bolsa. “É muito apertado e é um tipo de trabalho (o mestrado) que demanda muita dedicação. Às vezes é difícil ter cabeça para fazer outras coisas por causa do envolvimento. Existem períodos bem tensos por causa dos prazos, algumas pessoas têm uma relação bem complicada com o orientador. Sem o suporte da família é muito difícil.”


Bolsa da depressão
Capes quer que juntas médicas avaliem alunos que abandonam curso por motivos de saúde

Um ofício emitido pela Capes no fim de maio causou polêmica entre professores e alunos. O documento informava que todos os casos de desistência de curso por motivo de doença deveriam ser submetidos a uma junta médica — mas há quem afirme que a desistência possa estar ligada à depressão causada pela própria bolsa.

A orientação é para que o aluno seja avaliado pelo grupo de médicos antes de o pedido de desistência ser encaminhado à Capes. A decisão foi motivada, segundo a agência, pela “crescente quantidade de casos de não conclusão de curso por motivos de saúde”.

Minha casa, minha vida

Kuperman estava morando com uma amiga antes de saber se conseguiria ou não a bolsa. Até que sua situação se definisse, achou mais prudente voltar para a casa dos pais. Quando finalmente recebeu o resultado, foi morar com o namorado em um apartamento cedido pela avó. “Não dá para esbanjar muito, não dá para sair o tempo inteiro. É apertado, mas sem pagar aluguel dá para viver.”

Ter seu próprio canto é fundamental para pós-graduandos, mas é difícil bancar o aluguel só com a bolsa. Doutoranda em Nutrigenética na USP, Marina Norde, 26, encontrou um refúgio a 95 km de São Paulo, em Campinas, na casa dos pais. Três vezes na semana ela vai para São Paulo cumprir as atividades da pesquisa que realiza com bolsa da Capes. Na capital, dorme na mesma república em que morou durante a graduação, ao custo de R$ 30 por noite.

No mestrado, quando não tinha atividades no laboratório, Norde se mudava para a biblioteca da universidade para conseguir trabalhar com tranquilidade, já que dividia o apartamento com outras três amigas e compartilhava o quarto com uma delas. “Quando você tem o próprio ambiente, é você quem dita o volume ali. Quando divide a casa e o quarto, não pode exigir que a outra pessoa não faça barulho, não converse.”

O sociólogo Eduardo Carvalho acha que morar em república tem prazo de validade na vida de qualquer pesquisador. A maior parte do seu esforço para conseguir um dinheiro extra vendendo ingressos para jogos de futebol se deve ao fato de ele ter tido como prioridade viver na própria casa durante o doutorado. “Nos primeiros meses, aluguei um quarto na casa de umas amigas. Mas depois decidi morar sozinho porque vivi em república por dez anos da minha vida. Já estava de saco cheio.”

“É apertado, mas sem pagar aluguel dá para viver”, diz Kuperman, que faz mestrado em Letras na USP e precisou voltar para a casa dos pais antes de se mudar para  apartamento da avó.

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E o salário, ó
Desde 2010, emprego remunerado é permitido, mas com restrições

> A Capes e o CNPq começaram a autorizar trabalhos remunerados, desde que sejam na área de pesquisa do estudante e com a permissão do orientador

> Caso o aluno consiga um emprego na área, a remuneração não pode ser maior que o valor da bolsa

> Não há desconto de Imposto de Renda nem de INSS sobre a bolsa; se o estudante quiser contribuir com a Previdência, terá de fazê-lo como autônomo

> Apesar de a bolsa não ser considerada um salário, se o bolsista tiver que pagar pensão alimentícia, por exemplo, terá o valor descontado mensalmente

“Paitrocínio” é para quem pode

Daniel Martins, 26 anos, que foi bolsista da Capes durante o mestrado em Relações Internacionais na Fundação San Tiago Dantas, em São Paulo, onde estudou acordos preferenciais de comércio, chegou a procurar trabalho em restaurantes, mas, sem ter experiência no ramo, nunca conseguiu nada. Quando precisava, recorria aos pais, que entendiam as dificuldades da carreira acadêmica.

“Nunca deixei de assistir a uma aula nem de entregar um artigo para fazer trabalhos por fora”, conta. Quando concluiu o mestrado, Martins começou a trabalhar em um site focado em Relações Internacionais, e não tem planos de voltar para a vida acadêmica tão cedo. Ele diz que está cansado “da vida de estudante” e não quer, pelo menos por enquanto, começar um doutorado. “As pessoas costumam achar que a gente é vagabundo. É preciso bom humor e energia para ter uma produtividade alta com essas adversidades.”

Quem não pode contar com o “paitrocínio” e não quer fazer bicos de garçom (ou de vendedor de ingressos para jogos de futebol) sempre pode tentar encontrar uma segunda fonte de renda que se encaixe nos critérios estabelecidos pelas bolsas. Mas, às vezes, nem isso dá certo. Fernanda Cervenka, 36 anos, formada em Terapia Ocupacional, começou o mestrado em Tecnologia Assistiva no programa de Ciências da Reabilitação da Faculdade de Medicina da USP em outubro de 2015 e passou a receber a bolsa da Capes. Em abril deste ano, foi contratada por uma residência inclusiva da Prefeitura de São Paulo para pessoas com deficiência. Assim que conseguiu o emprego, a orientanda avisou a orientadora — que, por sua vez, comunicou à Capes. A agência de fomento pediu mais explicações à bolsista sobre o trabalho, como carga horária, o turno em que as funções eram realizadas e o salário que recebia.

Depois de um mês, Cervenka recebeu um documento informando que o pedido de acúmulo havia sido negado. Ela solicitou à Capes que informasse os motivos do indeferimento, mas até hoje não recebeu da agência detalhes sobre o porquê de o pedido não ter sido autorizado. Cervenka se viu obrigada a abrir mão da bolsa. Apesar disso, continua trabalhando na pesquisa vinculada ao programa de pós-graduação.

“Tenho um ano e meio de investimento nesse projeto. Antes de começar a receber a bolsa, trabalhei por meses de forma voluntária. Falta pouco mais de um ano para eu terminar o mestrado e estou muito envolvida. Não vou parar agora”, diz. Segundo Cervenka, o trabalho na residência é flexível, não exige que as tarefas sejam feitas sempre nos mesmos dias da semana nem exige cumprimento de horários. “Eu poderia facilmente conciliar meu trabalho com a bolsa, tanto que continuo fazendo as duas coisas, só que sem receber pela Capes”, conta.


Procuram-se pesquisadores

A baixa remuneração das bolsas é um problema também para os professores, segundo a orientadora de Cervenka, Selma Lancman. “Às vezes até sobram bolsas, porque nem sempre há alunos que aguentam viver só com o valor que pagam. A pós-graduação é um trabalho ou não é? Se é um trabalho, quanto vale a remuneração por esse trabalho?”, questiona.

Para Lancman, não é possível dizer que uma pessoa que não tenha ajuda financeira dos pais não consiga viver com a bolsa. “O que acaba acontecendo é que os jovens que pensam numa carreira universitária demoram um pouco mais para sair de casa. Eles conseguem assumir mais tardiamente a sua autonomia financeira.”

Se precisar ajudar nas contas de casa, segundo Lancman, o estudante nem procura a carreira acadêmica. “Em qualquer escolha, ele vai ter que fazer alguma coisa que dê retorno imediato. E a carreira universitária demanda muito tempo para ter um retorno razoável”, afirma.

Pior ainda, só quando esse retorno não vem. Eduardo Carvalho, o sociólogo que fazia bicos na bilheteria do estádio da Portuguesa, também trabalha eventualmente como garçom para complementar a renda. Faz serviços esporádicos em restaurantes da zona norte de São Paulo durante o doutorado. “É uma segunda ocupação minha, quase a primeira”, diz. “A gente tem que correr atrás. A condição de pesquisador é precária, ainda mais com a crise que vive o Brasil. Na maior parte do tempo, consegui dinheiro extra como monitor. Mas quando não dava, precisava fazer outra coisa.” Com o término da bolsa, prestes a finalizar o doutorado, Carvalho está na mesma situação que a maioria dos pós-graduandos do país, segundo ele próprio: desempregado.

Ciência com fronteiras

Ação do governo prioriza alunos da graduação — bolsas de doutorado são apenas 3.327 das 14.437 em vigência

O programa federal criado em 2011 já levou para fora do Brasil 92.880 pessoas. A bonança, porém, está acabando. Por causa da crise econômica, o programa sofreu uma grande redução no orçamento, o que impactou diretamente na quantidade de bolsas. No caso do CNPq, por exemplo, em 2015 foram 831 bolsas; neste ano, 12 — uma redução de 98,5%.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, bolsistas da Capes enfrentaram problemas, em junho, para renovar as bolsas de doutorado em universidades da Europa. Os estudantes tiveram o benefício interrompido após parecer negativo da agência.

Fonte: Revista Galileu (aqui)

domingo, 25 de junho de 2017

Governo adia plano de construir usinas hidrelétricas no Rio Negro


rio_negro

O plano de erguer usinas hidrelétricas no Alto Rio Negro, em uma das regiões mais remotas e preservadas da Amazônia, foi adiado pelo governo. No início deste mês, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), responsável pelo planejamento do setor elétrico, pediu à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que cancele autorizações para novos estudos sobre a viabilidade de erguer barragens ao longo do Rio Negro, afluente do Rio Amazonas.

Por trás da decisão está a grande complexidade do licenciamento ambiental – pelo menos 50% de toda a região banhada pelo Rio Negro é formada por florestas protegidas e terras indígenas.

Levantamentos já realizados pela Eletrobrás indicam potencial de geração de mais de 4,1 mil megawatts de energia na região, mas a EPE decidiu dar um passo atrás nos estudos, antes de propor qualquer novo empreendimento.

Em vez de renovar seu registro para a elaboração dos “estudos de inventário hidrelétrico da bacia do Rio Negro” e seguir adiante com a expectativa de licenciar hidrelétricas, o órgão, ligado ao Ministério de Minas e Energia, optou por fazer um “pré-inventário” da bacia.

“A nossa previsão é de que o pré-inventário esteja concluído até o final do primeiro semestre de 2019”, declarou a EPE, por meio de nota. “Em um momento oportuno, a EPE poderá solicitar um novo registro para iniciar a elaboração dos Estudos de Inventário Hidrelétrico abrangendo as áreas selecionadas nos estudos.”

Os estudos da Eletrobrás davam conta de que haveria potencial de instalação de barragens abaixo do município de São Gabriel da Cachoeira, no Estado do Amazonas. Os dados cartográficos também apontam potencial para hidrelétricas na região da chamada Cabeça do Cachorro, na fronteira da Amazônia brasileira com a Colômbia.

Questionada sobre o assunto, a EPE declarou que, até o momento, o único levantamento realizado na bacia do Rio Negro foi o diagnóstico socioambiental, “que revelou a existência de alta complexidade biológica e sociocultural, além de diversos conflitos na bacia”. Além disso, a EPE fez estudos cartográficos na região. O pré-inventário não incluirá levantamentos de campo, mas imagens de satélite.

“Como as fases do estudo que envolvem a identificação de locais barráveis e os estudos de alternativas de divisão de queda, que apontam o potencial de instalação de barragens no Rio Negro e nos seus principais afluentes, não foram iniciados, ainda não é possível afirmar os locais dos aproveitamentos”, informou a instituição.

Dificuldades. A ideia de erguer barragens no Rio Negro, que não tem nenhuma usina, vem dos anos 1990, mas desde 2011 passou a ser analisada pela EPE, que encontrou sucessivas dificuldades para realizar seus estudos de campo em terras indígenas.

O Rio Negro tem extensão aproximada de 1.260 quilômetros dentro do território nacional. Em sua totalidade, drena uma área de cerca de 280 mil quilômetros quadrados e ocupa 20% do território estadual do Amazonas.

O setor elétrico coleciona polêmicas históricas na construção de barragens na Amazônia, por causa das extensas áreas planas da região, o que não favorece quedas d’água.

A hidrelétrica de Balbina, construída nos anos 1980 pelo governo militar, inundou 2.360 quilômetros quadrados de mata nativa do Estados do Amazonas, uma área equivalente à das cidades de São Paulo e Campinas juntas, para gerar apenas 250 megawatts (MW), energia suficiente para atender apenas 370 mil pessoas.

Sua área alagada é equivalente a mais de cinco vezes a área total do reservatório de Belo Monte (516 quilômetros quadrados), que tem potência de 11.233 MW.

A hidrelétrica de Samuel, construída pelos militares em Rondônia, também está entre os maiores escândalos do setor. Foi necessário inundar 656 quilômetros quadrados de mata para gerar ínfimos 216 MW.

Fonte: Secretaria de Energia e Mineração de SP (aqui)